sábado, 13 de novembro de 2010

As vezes olhamos, mas não vemos!


Semana agitada com muito contratempo, provas, trabalhos na faculdade e ainda lidar com meu estado.
Mais, nesta semana, algumas conversas formam muito importantes e me instigaram de tal maneira, que mesmo quando não podia ou não queria me pegava pensando.
Primeiro bati um longo papo com uma amiga super alto astral é que é facilitadora de um grupo de operados “clássicos” emagreceram muito e outros continuam emagrecendo... E conversamos por horas (ela se preocupa muito comigo e acredita no meu potencial) em meio aos meus desabafos sobre meu peso hoje, a compulsão... Ela de repente, me compartilha de alguns problemas enfrentado por pessoas que estão alcançando o seu objetivo primário: emagrecer
Na mesma semana, nas aulas de genética e processos psicológicos básicos discutimos, aprendemos e assistimos casos em que a genética comprovou algumas lesões cerebrais no hipotálamo que podem impedir a produção do hormônio que desperta ou diminui a fome. Um paciente com esta lesão poderia comer até explodir, ainda que seu estômago inteiro ou parcial fosse cortado.
Também analisamos os transtornos alimentares em que não há uma causa físico-genética e sim que um problema emocional, ambiental, cultural... Levou ao transtorno alimentar.
ONDE QUERO CHEGAR? NÃO DESCOBRI NADA NOVO.
Eu estava tendo uma visão muito pequena, por que não dizer medíocre ?!
Pessoas que atingiram seus alvos e hoje estão de bem com balança estão desenvolvendo (eu diria transferindo) para álcool, cigarros, problemas de relacionamentos com o conjugue, bulimia... Então, pensei que PESO não é a questão, que meu problema não é único.
Ele é sim visível, apenas isto. Uma coisa que agora enxergo como positiva.
Muitos nem sabe que continuam doentes, afinal o manequim mudou.
Não tenho gabarito em nem quero falar de estáticas, mas tanto na faculdade e na conversa com esta facilitadora de grupo, reafirma em mim que nosso interior (salvo casos de problemas físicos) precisa ser cuidado e muito bem avaliado, antes de uma decisão por cortar algo físico ao invés de cortar coisas que estão na alma e não no seu aparelho digestivo.
Bom, pode não ser muito para alguns, mas me fez olhar para o fracasso da minha cirurgia com mais misericórdia e me acolher mais.
Apenas tentei da forma errada, mas tentei e devo agora seguir tentando com este novo olhar.
Pra terminar uma frase que gosto muito:
“Não arriscar nada é arriscar tudo” Cesare Gantú

Kika

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

RE-VER e RE-FAZER os caminhos .

caminho que adorei fazer na selva Colombiana março/10

Há lugares e caminhos que gostamos de fazer.
Tem aqueles que a gente nunca passou, mas se delicia pensando neles – eu faço isto quando penso na Toscana, Barcelona ou Maceió. Há também, os lugares que não gostaríamos de passar, mas não temos opção e lá vamos.
Tem aqueles que passamos para cortar caminho por pressa, por medo, pela visão...
Na vida, há momentos em que temos que “Re-ver” alguns lugares e “Re- fazer” alguns caminhos.  
Toda pessoa que fez cirurgia ou perdeu muito peso, tem seu debut de encher sacos de lixo com roupas que agora, não são para magros. Lembro-me como se fosse hoje o dia que fiz isto: foram vários sacos com roupas GG, XGG, EGGG ou como se diriam hoje Plus size.
Algo foi interessante: a dualidade daquele momento! Eu estava feliz porque agora não era mais uma mulher de três dígitos e ao mesmo tempo, estava triste porque sabia que alguém usaria aquelas roupas.
Nunca pensei ter que re-viver esta tristeza do avesso. Eu enchi vários sacos de lixo com roupas que agora, não são para gordos. Que dor e frustração ! Eu agora, já não cabia nas roupas, que a cada compra era uma celebração. Como foi doloroso me livrar de uma mini-saia e uma calça jeans da Hering (loja de magro que antes, não podia comprar).
E hoje, eu tenho que passar pelo caminho doloroso que é meu guarda-roupa, que me lembra todos os dias o que queria ser, o que fui e que não sou mais.
Mas, este Blog também está sendo um caminho desconhecido e que está me revelando, que os caminhos podem ser os mesmos , mas as pessoas não são as mesmas.
Hoje passar aqui é doloroso, pois falar das minhas roupas me deixa triste, mas tem sido também prazeroso o apoio e incentivo que tenho recebido.
Estou ansiosa para encontrar pessoas que passaram pelo mesmo caminho e quem sabe,e juntas podemos descobrir novos caminhos.
Kika

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sou contra a gastroplastia ?!

Bem, depois do primeiro post tenho pensando muito e conversado com algumas pessoas sobre a proposta do Blog. Acho importante, começar respondendo esta pergunta, pois já me fiz muitas vezes e outras vezes, fui questionada pelo outros.
Não, não sou contra a gastroplastia !
A experiência humana é singular seja no físico, na alma e no espírito.
Posso querer limitar ou definir a concepção que se tem Deus ?
Por que o mesmo medicamento tem um espectro de ação diferente de um organismo para outro ?
Falar dos sentimentos então é assunto para toda uma vida rs rs
Hoje eu estava pensando no psiquiatra Charcot que não se conformou com a definição da época, de que os pacientes histéricos deveriam ter um problema no nervo OU então era encenação. Ele (Charcot) não aceitou, foi pesquisar, ter mais contatos com estas pessoas até chegar à conclusão de não encenavam, mas que por trás de tudo havia traumas e outras coisas. Bem, para resumir (não sou especialista) ele influenciou o jovem Freud, que avançou mais que seu mestre e é considerado pai da Psicanálise.
Por isso, não sou contra e nem quero fazer apologia contra a redução de estômago, mas quero sim poder enxergar além, levar em conta a “minha” experiência e por que, não de outros ?! Tenho um grupo de amigas que fizeram a cirurgia e estão bem.
Elas estão mais magras, felizes, algumas conseguiram engravidar (a mulher obesa pode ter dificuldades em função do peso), outras fizeram plásticas... Enfim, suas vidas foram muito abençoadas pela cirurgia.   E sou tão grata pelo carinho com que elas me acolhem e sempre se preocupam comigo. Me afastei do convívio com elas, por me sentir um ET no meio de tanta vitória. Me sinto culpada, confesso.
Penso: puxa eu nem reduzindo o estomago, quando estou muito deprimida penso mesmo é: me mutilei e nem assim emagreci.
Pouco a pouco, vou descobrindo que as emoções têm um papel muito relevante em todas as áreas de nossas vidas. Eu já sabia disto, sempre fiz terapia, amo psicologia e sei na pele que há doenças que são provocadas pelas emoções (psicossomáticas).
Só que descobri que não tinha a noção em toda sua plenitude.
Meu estomago tem capacidade para 20ml (é físico), mas o desespero por doce, a necessidade de abrir 1000 vezes a geladeira, aquela angustia que só brigadeiro de colher aplaca a tristeza e culpa após comer é algo que vai além do físico.
Por isso, é importante tratar as emoções, as dependências, os vícios, relações mal resolvidas, sonhos frustrados... Etc. Antes de achar que uma cirurgia vai resolver tudo. A maioria dos gordinhos sofreu muitos tipos de traumas. Não esqueço aqui das pessoas que tem problemas genéticos, hereditários... mas, além de ser minoria até a genética leva em consideração o ambiente para o desenvolvimento de algumas doenças.
Eu sei que já dei um bom passo ao reconhecer isto e procurar me abrir.
Bem, quero finalizar lembrando uma expressão de Jesus “sepulcros caiados” por fora a gente pode estar bonita, mas dentro pode ter tanta dor e escuridão. Ouvi de uma pessoa que está magra após a cirurgia, mas que agora desenvolveu bulimia.
Será que isto é estar feliz e ter qualidade de vida ?!

Kika
   

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Colcha de Retalhos

Eu procurei muitas vezes na internet sites, blogs... Qualquer registro de pessoas que fizeram a cirurgia de redução do estomago, mas que não tiveram bom êxito.
Não queria apenas um link, estatísticas de quantos voltam a engordar ou apenas o que fazer (todo mundo sabe: para de comer).
Eu queria achar um lugar onde pudesse conhecer PESSSOAS e saber da singularidade de cada historia, poder interagir com pessoas que vivenciaram esta experiência das experiências.
Se vai para uma mesa e se permite cortar, colocar um anel no estomago, fazer uma ligação no intestino... Seja qual for à técnica porque já se falou com todas as outras possibilidades - aqui excluo aqueles que acham que a gastroplastia serve para os três kilos que faltam ou uma vaidade arrogante.
Não sei se pessoas virão aqui, mas este será meu lugar para falar de como me sinto.
Eu fiz a cirurgia há 6 anos, fiz a técnica capella aberta e na época cheguei a 112 kilos com apenas 1,57.
Sempre fui muito preconceituosa em relação à cirurgia e quando falavam para mim, eu me ofendia.
Achava que já tinha conseguido perder peso no passado com meu esforço e me cortar era algo abominável. Como toda gordinha, fiz todas as dietas possíveis e até consegui perder 42 quilos apenas com reeducação e caminhada.
Como poderia aceitar ser cortada, passar por um procedimento cirúrgico, se eu já tinha conseguido?
Por isso, quando decidi pela cirurgia foi rápido demais, fui prática: Falei para o medico não tem jeito?! Então vou fazer os exames pré-operatórios já. Em um mês fiz consulta, exames e operei.
Tive uma infecção pós operatória (ficou uma marca feia), mas depois voltei à vida e emagrecendo a cada dia. Cheguei aos 68 kilos e a meta era 62 kilos se chegasse a perder 40% do peso.
Mas, antes disto entrei em uma depressão profunda e engordei 15 kilos, fiquei afastada do trabalho por quase dois anos.
No ano de 2008 voltei a trabalhar e não tinha conseguido perder os 15 kilos que voltei a ganhar, nesta época estava já com 84 kilos e o tempo foi passando e ao invés de perde fui ganhando mais kilos (a ultima vez que pesei estava com 90 kilos).
Espero aqui poder me ajudar, pois acredito na frase de um psiquiatra francês: O sintoma está no lugar da palavra . Eu e outros poderemos experimentar a benção de por para fora , tirar duvidas, lamentar, discordar... mas, colocar nossos sintomas no lugar certo.
Bem, quero terminar hoje dizendo por que escolhi como tema do primeiro post “Colcha de Retalhos".
Nossa vida não pode ter significado sozinha, às vezes ouço: não preciso de você ou o clichê não preciso de ninguém. Enquanto escrevo estou precisando que alguém cuide para que a energia elétrica chegue a minha casa, olha que este exemplo é bem básico.
E as colchas de retalhos que são lindas, são feitas com cores, estampas, texturas diferentes... e por isso, cada uma delas tem algum de especial, único.
É assim que vejo a experiência humana: rica e única!
Espero que neste espaço possamos reunir nossos retalhos alegres, coloridos, tristes, opacos... Mas que no final se encaixam e até aquele retalho "feio" era imprescindível para a confecção desta vida - uma linda colcha de retalhos.

Kika